28 de Dezembro de 2018, Oitava do Natal

Primeira Carta de São João 1,5-2,2
Caríssimos:
5 A mensagem, que ouvimos de Jesus Cristo
e vos anunciamos, 
é esta: 
Deus é luz e nele não há trevas. 
6 Se dissermos que estamos em comunhão com ele, 
mas andamos nas trevas, 
estamos mentindo e não nos guiamos pela verdade. 
7 Mas, se andamos na luz, 
como ele está na luz, 
então estamos em comunhão uns com os outros, 
e o sangue de seu Filho Jesus
nos purifica de todo pecado. 
8 Se dissermos que não temos pecado, 
estamo-nos enganando a nós mesmos, 
e a verdade não está dentro de nós. 
9 Se reconhecermos nossos pecados, 
então Deus se mostra fiel e justo, 
para nos perdoar os pecados 
e nos purificar de toda culpa. 
10 Se dissermos que nunca pecamos, 
fazemos dele um mentiroso 
e sua palavra não está dentro de nós. 
2,1 Meus filhinhos, 
escrevo isto para que não pequeis. 
No entanto, se alguém pecar, 
temos junto do Pai um Defensor: 
Jesus Cristo, o Justo. 
2 Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, 
e não só pelos nossos, 
mas também pelos pecados do mundo inteiro.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 123(124),2-3.4-5.7b-8 (R. 7a)

R. Nossa alma como um pássaro escapou
do laço que lhe armara o caçador.
2 Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, *
quando os homens investiram contra nós, 
3 com certeza nos teriam devorado *
no furor de sua ira contra nós.R.

4 Então as águas nos teriam submergido, *
a correnteza nos teria arrastado,
5e então, por sobre nós teriam passado *
essas águas sempre mais impetuosas.R.

7b O laço arrebentou-se de repente, *
e assim nós conseguimos libertar-nos.
8 O nosso auxílio está no nome do Senhor, *
do Senhor que fez o céu e fez a terra!R.

 Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2,13-18
13 Depois que os magos partiram,
o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José
e lhe disse:
“Levanta-te, pega o menino e sua mãe
e foge para o Egito!
Fica lá até que eu te avise!
Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”.
14 José levantou-se de noite,
pegou o menino e sua mãe,
e partiu para o Egito.
15 Ali ficou até à morte de Herodes,
para se cumprir
o que o Senhor havia dito pelo profeta:
“Do Egito chamei o meu Filho”.
16 Quando Herodes percebeu
que os magos o haviam enganado,
ficou muito furioso.
Mandou matar todos os meninos de Belém
e de todo o território vizinho,
de dois anos para baixo,
exatamente conforme o tempo indicado pelos magos.
17 Então se cumpriu
o que foi dito pelo profeta Jeremias:
18 “Ouviu-se um grito em Ramá,
choro e grande lamento:
é Raquel que chora seus filhos,
e não quer ser consolada,
porque eles não existem mais”.
Palavra da Salvação. 

Meditação

A festa dos Santos Inocentes, colocada tão perto do Natal, realça não só o dom do martírio, mas também a grande verdade que a morte do inocente revela: a maldade do pecador, como Herodes, semeia ódio e morte, enquanto o amor do justo inocente, como Jesus, traz frutos de vida e salvação. S. João também nos apresenta o mundo divido em duas partes: a luz, o mundo de Deus, e as trevas, o mundo de Satanás. Quem caminha na luz e pratica a verdade (cf. vv. 7-8), vive em comunhão com Deus e com os irmãos, e é purificado de todo o pecado pelo sangue de Jesus derramado na cruz. Quem, pelo contrário, caminhas nas trevas e não pratica a verdade (cf. vv. 6.8), engana-se a si mesmo, não vive em comunhão com Cristo nem com os irmãos, está longe da salvação. Os verdadeiros crentes reconhecem, diante de Deus, o seu pecado, confessam-nos e confiam no Senhor «fiel e justo» (v. 9), são salvos. Os maus, pelo contrário, que não reconhecem os seus pecados, tornam vão o sacrifício de Cristo, e a sua Palavra de vida não os pode transformar interiormente.

Mateus narra uma das provações da família de Nazaré. Depois de os Magos partirem, advertidos pelo Anjo do Senhor, José e Maria tiveram de fugir com o Menino para o Egito, para escaparem ao ódio de Herodes. Na sua loucura, tinha decidido matar todos os recém- nascidos em Belém (cf. vv. 14-16). A Sagrada Família vive uma dolorosa perseguição, que a leva a fugir da sua terra e a lança numa aventura cheia de incertezas.

Mateus sugere que a Sagrada Família não goza de qualquer privilégio em relação às outras. Jesus é um Deus no meio de nós, mas a sua glória esconde-se numa aparente derrota. Não O buscam apenas os Magos. Também Herodes O procura. Mas suas intenções são diferentes: os Magos querem adorá-lo; Herodes quer matá-lo. Jesus é sinal de contradição desde o seu nascimento.

Na realidade, a narrativa evangélica evidencia um outro tema: a aventura humana de Jesus, desde a sua infância, é lida à luz da história de Moisés e do seu povo. Tanto o nascimento de Moisés, como o de Jesus, coincidem com a matança de meninos hebreus inocentes (Ex 1, 8-2,10 e Mt 2, 13-14); ambos se dirigem para o Egipto (Ex 3, 10; 4, 19 e Mt 2, 13-14); ambos realizam a palavra: «do Egipto chamei o meu filho» (Ex 4, 22; Os 11, 1 e Mt 2, 15). Finalmente a profecia de Raquel que chora os seus filhos (Jer 31, 15) recorda-nos que Jesus permanece o Messias procurado e recusado, em quem se realizam as promessas de Deus e as esperanças dos homens.

B

Causa-nos um certo choque celebrar o martírio dos Inocentes apenas três dias depois do Natal, festa da família, da alegria e da paz. Mas esta festa ajuda-nos a compreender mais profundamente o Natal de Cristo.

Contemplámos o Menino do presépio, que, como sabemos não é um menino qualquer. Pretende tornar-se rei de todos os corações; por isso, não pode deixar de encontrar resistência e oposição. Apresenta-se como Luz do mundo, mas as trevas não se deixam iluminar, sem luta, sem sofrimento. A festa dos Inocentes mostra-nos que essa luta começa muito cedo.

Essa luta começa dentro de nós, como vemos na primeira leitura. Porque somos pecadores, estamos de algum modo do lado de Herodes, recusamos o Salvador e precisamos de conversão para acolhe
r a luz que nos perturba. «Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós», escreve S. João. Hoje começa a obra da nossa salvação e a primeira coisa a fazer é reconhecer que precisamos de ser salvos.

O evangelho narra precisamente a fuga da Sagrada Família para o Egipto e a matança dos Inocentes. Mateus, partindo dos dados históricos, recompõe-os, lendo-os na fé e transfigurando-os à luz do mistério que encerram: o Menino Jesus, que se entrega nas mãos dos homens, não é alguém que foge do inimigo por medo, mas é o verdadeiro vencedor, porque é na sua obediência livre que revela ao homem o rosto do Pai e o amor gratuito com que se entregou a nós. Se o mundo recusa a Cristo, o derrotado não é Cristo, mas o mesmo mundo. Se a recusa de Cristo e a sua marginalização são momentos de humilhação que revelam a sua fraqueza humana, são também o início do seu triunfo, por causa da glorificação que dará ao Pai.

Também nós podemos recusar Cristo e ser culpados de pecado, renegando o amor de Deus. Mas acreditamos que, apesar de tudo, os nossos pecados não são um obstáculo permanente à comunhão com Deus, graças à sua misericórdia a que podemos recorrer. confira www.dehonianos,com)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *