Leitura da carta aos Hebreus.
Irmãos, 4 12 porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. 13 Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.
14 Temos, portanto, um grande Sumo Sacerdote que penetrou nos céus, Jesus, Filho de Deus. Conservemos firme a nossa fé. 15 Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado. 16 Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno.
Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 18/19B

Vossas palavras são espírito, são vida,
tendes palavras, ó Senhor, de vida eterna.


A lei do Senhor Deus é perfeita,
Conforto para a alma!
O testemunho do Senhor é fiel,
Sabedoria dos humildes.

Os preceitos do Senhor são precisos,
Alegria ao coração.
O mandamento do Senhor é brilhante,
Para os olhos é uma luz.

É puro o temor do Senhor,
Imutável para sempre.
Os julgamentos do Senhor são corretos
E justos igualmente.

Que vos agrade o cantar dos meus lábios
E a voz da minha alma;
Que ela chegue até vós, ó Senhor,
Meu rochedo e redentor!

Evangelho (Marcos 2,13-17)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
2 13 Jesus saiu de novo para perto do mar e toda a multidão foi ter com ele, e ele os ensinava.
14 Quando ia passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto da arrecadação e disse-lhe: “Segue-me.” E Levi, levantando-se, seguiu-o.
15 Em seguida, pôs-se à mesa na sua casa e muitos cobradores de impostos e pecadores tomaram lugar com ele e seus discípulos; com efeito, eram numerosos os que o seguiam.
16 Os escribas, do partido dos fariseus, vendo-o comer com as pessoas de má vida e publicamos, diziam aos seus discípulos: “Ele come com os publicamos e com gente de má vida?”
17 Ouvindo-os, Jesus replicou: “Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos; não vim chamar os justos, mas os pecadores.”
Palavra da salvação.

Meditação

Jesus vem arrancar o homem do mal, do pecado, como vimos nos episódios precedentes. A perícopa de hoje mostra-nos a perfeita liberdade com que Jesus se conduz e age, e pode partilhar connosco. O mestre dá atenção à «gente» (´am há-rets, em hebraico), isto é, aqueles que não observavam a Lei segundo a interpretação rigorista, o que chocava os mestres de Israel. Estes chamavam «pecadores» a essa «gente» não só devido a eventuais culpas morais, mas também pelo facto de não observarem rigorosamente a Lei e os costumes dos fariseus. Nesse sentido, também Jesus era um «pecador»: não obrigava os discípulos aos rituais de purificação antes das refeições (7, 1-5) e recusava a casuística farisaica sobre o sábado (2, 23-28).
Levi, «sentado no posto de cobrança» (v. 14) a cumprir o seu odioso ofício, é considerado pecador, porque se contamina no contacto com os pagãos. Jesus, não tendo em conta a contaminação ritual, partilha com ele a refeição, símbolo de comunhão de vida. A sua «excessiva» liberdade choca os guardiães de Lei. Mas Jesus não pretende justificar a transgressão da Lei. Apenas quer partilhar a vida com quem ainda não se decidiu por romper com o pecado, para lhe dar a força e a graça de fazer essa opção. É por isso que vai ao encontro do homem onde ele se encontra, fazendo-se próximo, irmão, comensal com os pecadores. Aqueles que se sentem justos não compreendem que o médico divino se ponha ao serviço dos irmãos doentes e derrame misericórdia sobre os miseráveis. A maior doença do homem é, sem dúvida, o pecado. Por isso, é que Jesus vai ao encontro dos pecadores.

Meditatio

A mensagem da liturgia hodierna pode resumir-se em duas ou três palavras: verdade e misericórdia, que levam à liberdade. «A palavra de Deus é viva, eficaz», diz-nos o autor da Carta aos Hebreus. Essa palavra é Jesus, que conhece o mais íntimo do nosso coração, e nos convida: «Segue-me!». A sua palavra é «mais afiada que uma espada de dois gumes» porque, com a verdade, penetra a nossa mentira e com a misericórdia corta o nosso orgulho. Na verdade, Jesus faz-nos tomar consciência da nossa condição de pecadores, mas, logo de seguida, envolve-nos no manto da sua compaixão, reveste-nos de santidade. Quantas vezes nos sentimos amarrados por maus hábitos e por inclinações para o mal, que não queremos admitir ou travestimos de virtudes. Podemos mentir a nós mesmos, e aos outros, mas não mentimos ao Senhor, a quem deveremos «prestar contas» (v. 13). Todavia, o juiz verdadeiro vem sentar-se à mesa connosco. Se Lhe quisermos abrir o coração e a casa, a sua liberdade liberta-nos, a sua plenitude de vida fará de nós ressuscitados, a sua amizade tornar-se-à em nós fonte de alegria para muitos.

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