04:11H Mosteiro do Paraíso



22 de Novembro, Santa Cecilia, padroeira da Música.



Amados e amadas,

o dia 22 de Novembro remete-nos a memória de Santa Cecília, virgem e mártir dos primeiros séculos, daquelas primeiras jovens, tão frágeis e ao mesmo tempo tão fortes, enraizadas no amor incondicional a Cristo Jesus. entregando-se como o primeiro canto e mais belo cantar dos cantares a Deus:: a própria vida em idade tão cheia de sonhos e de encantos. pelo viver como qualquer jovem. Surpreender-se testada diante de situações fora do amor que jamais se ousara pensar, pela causa do amor maior: Jesus.

Assim, vejo esta jovem Cecília, proclamada mais tarde, a Padroeira da Música, propriamente do canto vocal. Mas, o mais belo ainda de tudo isso, não tão presentes nas hagiografias, mas nas leituras espirituais de alguns escritos antigos, e em Santa Cecília, os escritos de Santo Agostinho, tardiamente, ao tempo dos primeiros mártires e dessas jovens, castas de corpo e de alma, vai afirmar: “Cecília, qual foi o seu canto? Cecília, cantou você, senão o seu próprio martírio oferecido em louvor ao seu amado Senhor.

Cecília, que tão pouco ou nada tenha cantado de si própria, tudo cantou entregando a própria vida, ainda tão menina e ao mesmo tempo tão grande. Aos moldes  de Santa Inês, se diz: era tão frágil que as argolas das pesadas correntes escapavam-lhe dos pulsos, tão menina, e ao mesmo tempo tão grande! E mesmo, contemplando Luzia: Ó Luzia, luzeiro de fé e amor incondicional ao seu amado Senhor! Se arrancaram-lhes os olhos, continua sendo luzeiro, se jogaram-lhes no ardente óleo , arde seu corpo de amor e de fé em Cristo. Óh  Ágatha, pedra preciosa de Deus!

São essas jovens, que nos são dadas nas origens da vida cristã como testemunho de fé e de amor: nada de super heróis, nada de exoplanetas. nada de príncipes e reis poderosos… Parece neste tempo imagens incólumes, do missioneiro convertido, do padre ou freira sarado , meigas e encantadoras, parece- nos fazer sermos produzidos para efeitos midiáticos por figuras e palavras, capazes de seduzir pelos olhos ou pelos ouvidos, no uso da Palavra de Deus daquilo que convém, pela insistência dos sentidos, da fé visível..

Não é tanto mais contemplar a dureza do testemunho escondido, mas contar, insistentemente, em canais, versões, imagens, redes sociais, até que cansando a beleza, …”ou vai ou racha!” E muitos racham, como eu interiormente  fico nesta nossa época da imagem e do flúido, diante de tantas imagens e discursos vazios. As pessoas e povos inteiros precisam ser evangelizadas com atitudes e palavras um profundo respeito à sua cultura, sentimentos, vida autêntica e de testemunhal. A fé muitas vezes é dom invisível.

Assim como aquelas rosas maravilhosas nas celebrações, se retiradas da estufa sucumbem aos primeiros raios do sol da manhã, também nós, se não houver testemunho, podemos murchar muito rápido e perder a beleza e o encanto.

Na linguagem hoje, por milhares de ‘seguidores’, nos fazemos maravilhosos e midiáticos, mas podemos cair depressa, senão em publicidade, na intimidade. e aí não há nada que resista, senão a fé e o amor a Cristo e não a si mesmo.

Frágeis, pequeninas, acuadas, inoperantes , cordeirinhos ao invés de leõezinhos, frágeis tecidos de pano cobrindo a nudez de seus corpos minguados nem crianças e nem adultas… jogadas aos leões, ou puxadas a cavalos, ou arrancados os olhos , ou lapidados seus corpos, cada uma fez-se forte e afinada com acuidade e beleza num único canto:eis a minha vida, eis os meus olhos , eis o meu canto, como Cecília: “Cantai ao Senhor um canto novo!” (Sl 96) (pe. Nilton)

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